Meio do Caminho

 01/07/2020


Meio do Caminho

 

Céu negro e estrelas salpicadas num sereno de noite fria.

Sensação da infância e do sempre, apesar da partida longínqua.

Reconhecimento da gênese e sensação de bagagem demasiada.

Meio século de caminho e pouco farol na estrada.

Trilha aberta no braço, mesmo sem sabença ou facão.

Flores trançadas no cabelo e arranhões pelo corpo.

Memória de luas em rodopio e arrepios de pele em lembrança.

Rugas nos olhos de visão pouca e cheiro de orvalho ainda por cair.

Peito sanfoneado de vazios surdos e cheias de marés.

Igarapés de silêncio e pororocas de sinfonias.

Mata virgem de desejo pelo caminho pisado da vivença.

Nos coldres Margarida desvalida e botão de Camélia.

Na cabeça sonho a brilhar, no cantil teu amor a pingar.

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